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Se fores capaz de manter a tua calma
quando todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.
Se fores capaz de esperar sem te desesperares,
ou enganado, não mentir ao mentiroso,
ou sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais nem pretensioso.
Se fores capaz de pensar
sem que a isso só te atires,
de sonhar sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
tratar da mesma forma a esses dois impostores.
Se fores capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que dissestes,
e as coisas por que destes a vida estraçalhadas,
e refaze-las com o bem pouco que te resta.
Se fores capaz de arriscar numa única parada,
tudo o quanto ganhaste em toda tua vida,
e perder, e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos,
músculos,
tudo a dar seja o que for que neles ainda existe,
e a persistir assim quando, exaustos contudo,
resta a vontade em ti que ainda ordena -Persiste!
Se fores capaz de entre a plebe não te corromperes,
e entre reis não perder a naturalidade,
e de amigos quer bons quer maus, te defenderes,
se a todos pode ser de alguma utilidade.
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a tua terra com tudo que existe no
mundo,
e, o que é mais, tu serás um homem, meu filho.
Muito já se falou sobre virtudes. Mas compreender
e mais praticar,
esses são caminhos bem diferentes.
Resolvi editar o poema de Rudyard Kippling, escritor
ganhador do prêmio Nobel de
Literatura em 1907 com a história imortalizada por Walt Disney
(Máugli, O livro da Selva) e que,
dizem, nesse autor e sua obra teria Gardner inspirado-se para diversos
dos que
chamamos atualmente de TEXTOS SAGRADOS de Wicca.
Kippling foi um maçom, místico e, principalmente,
um conhecedor da natureza humana.
Devemos atentar para o fato de que as características
comentadas
no texto são possíveis e apenas inerentes aos seres humanos.
Utopia? Impossível? Bem, para tornarmo-nos completos,
faz-se necessário ao homem e
principalmente ao magicista compreender que o equilíbrio descer-se-á
manifestar-se, tanto
nas virtudes quanto nas chamadas sombras. É claro que, pela própria
natureza individualista e
-carnal- dos seres humanos, as sombras se manifestam de forma simples
e natural.
Virtude é saber controla-las e mesmo quando manifestá-las.
É hora de desmistificarmos tanto que, nem toda
bruxa tem de ser má,
assim como nem toda a bruxa tem de ser boa todo o tempo.
Talvez, pelo estigma de bruxos que comem criancinhas,
alguns (para justificativa externa ou para si mesmos)
insistem em afirmar que wicca é uma doutrina BOA, que não
se praticam MALDADES. Se aceitarmos isso,
tornamo-nos desequilibrados, fugimos à Natureza inerente aos
seres humanos, assim
como seremos extremamente hipócritas.
O Bem não existe sem o Mal, e conceituar bem
e mal é uma tarefa que me seria
impossível, assim como a qualquer outro pensador desvinculado
de interesses.
Bruxos brigam, bruxos se irritam, bruxos maldizem, praguejam...
Assim como bruxos abençoam, bruxos abraçam, bruxos beijam...
A Questão é, bruxos são seres regidos
também pelas paixões humanas.
Se não somos MONGES TIBETANOS vivendo em clausura e sim, animais
sociais que
convivemos sobre leis, dogmas, doutrinas, fatalmente criaremos inimizades,
problemas, divergências de opiniões, etc.
Devemos sim, aprender a controlar essa paixões,
e isso...é um trabalho
para inúmeras encarnações.
Fonte: Bruxaria.net |