Espiritualidade, Preconceito e Religião

 
 


 
 


Desde cedo todos nós somos condicionados pelo meio do local intrafísico, que nascemos, a cultuar em nosso íntimo certos pré-conceitos em relação a determinados temas, religiões, filosofias, raças ou origens étnicas ou de nacionalidade de determinada pessoa.

Somos moldados a adotar um específico padrão de conduta ética, social, cultural e religiosa, passando a torcer por um determinado time de futebol da cidade , a simpatizar por um determinado partido político e a se tornar adepto de uma religião ou filosofia de vida.

Quando estamos na escola, somos condicionados pela ciência vigente, a apenas estudar o aspecto tridimensional da existência em tudo aquilo que unicamente pode ser medido em largura, altura ou comprimento, e tudo que está além disso, que não pode ser medido tecnicamente pelos instrumentos convencionais que a ciência tradicional utiliza, é taxado de sobrenatural. Resumindo : desde cedo somos motivados pelo meio, a crer unicamente na existência daquilo que podemos tocar e ver, descartando qualquer possibilidade de uma investigação de realidades paralelas ao plano físico.

Com essas atitudes discriminatórias , o cientista é moldado pelo que foi educado a pensar, a se tornar um autômato de idéias e teorias exclusivamente materialistas, impondo todo o seu ranço radical, nas atribuições científicas da natureza e de suas estruturas gerais.

Assim várias gerações de cientistas, políticos, filósofos e religiosos se tornam verdadeiros tiranos fossilizantes, donos de um imenso radicalismo bem pomposo, onde a prepotência e a inflexibilidade de suas idéias cristalizadas, são marcas registradas de seu enorme preconceito em relação a qualquer idéia, pensamento ou teoria metafísica, não-física.

Todos nós sem dúvida, temos algum tipo de preconceito a determinada coisa ou aspecto que faz parte da existência, e o grande desafio que nos defronta é exatamente procurarmos um meio, para pouco a pouco extirparmos de nós, esses preconceitos tão milenares e cristalizados em nossa alma. É difícil, mas esse saneamento interior tem de começar já, no silêncio de nosso ser, naquela revolução silenciosa, que o Pierre Weil já falava tempos atrás. Vamos procurar tirar os óculos e ver as coisas e fatos de maneira bem natural, simples e clara ! Vamos procurar tirar as viseiras da incompreensão que tanto ofuscam as nossas visões perceptivas e procurar trabalhar melhor nossos bloqueios emocionais e psicológicos, renovando a nossa consciência com a cristalina água do Bom Senso Consciente, de que realmente podemos expandir a nossa liberdade ilimitadamente.

Um fato motivou-me bastante para escrever esse artigo. Estava eu voltando da faculdade há alguns anos atras e me encontro com uma amiga, que por sinal é espírita. Ela estava em mãos com um livro de Joanna de Angelis, psicografado pelo Divaldo Franco, e eu estava com um belíssimo livro do Ramatís, Elucidações do Além (Editora do Conhecimento), que por sinal recomendo para todos.

Pois bem, elogiei bastante a temática "Iunguiana" dos livros psicológicos da Joanna de Angelis e em contrapartida perguntei a minha amiga se ela conhecia as obras do Ramatís.
Ela me respondeu que sim, mas "não curtia muito" suas obras, apesar de nunca ter lido um livro. Então eu perguntei : "Mas como você diz que não curte o Ramatís se você ainda não leu nenhum livro dele ""
Ela respondeu :" Não sei, mas eu não curto não. Prefiro ler os livros kardequianos."
Então eu entrei : " Mas você deveria pelo menos ler alguma coisa do Ramatís para dar um parecer verdadeiro. O Ramatís prega muito a união entre o ocultismo ocidental e a sabedoria mística oriental. È um verdadeiro mestre espiritual defensor da síntese espiritual Oriente-Ocidente."
Mas ela respondeu de novo : "Sei lá,mas prefiro escolher as minhas prioridades, pois a própria bibliografia espírita é muito vasta."

Neste momento eu senti uma enorme prevenção por parte dela em relação ao Ramatís, aliás prevenção que é condicionada dentro das próprias casas espíritas, cultuada pelo ego de vários espíritas velha-guardas, cuja ortodoxia não os deixa entender que o próprio Espiritismo é essencialmente uma doutrina de amplitude evolutiva e não um conjunto de postulados em discussões sobre o que Allan Kardec "disse" ou "não disse"!

Ramatís realmente fala muitas coisas que o Kardec não falou na época da codificação espírita, considerando-se que a doutrina espírita, sendo um movimento de natureza popular, destinado a todos os "não iniciados" nas particularidades do mundo oculto.

Tratando-se disso, desta falta de estrutura psicológica dos adeptos da nascente doutrina espírita, os elevados dirigentes extrafísicos, não permitiram que muitos temas e informações espirituais não fossem revelados naquele momento.

Na segunda metade do século passado (entre 1955 e 1974) quando o médium paranaense Hercílio Mães(1913-1993) recebeu através da psicografia os livros do Ramatís, já havia mais estrutura psicológica e espiritual para expandir as informações que Kardec tinha fornecido.Informações essas, que já eram conhecidas há milênios pelos iogues hindus e sacerdotes esotéricos egípcios.Portanto, é de senso comum que os mais avançados conhecimentos secretos acerca da imortalidade da alma sempre provieram do Oriente, principalmente da Índia, e seria ridículo que qualquer espiritualista ocidental(seja ele espírita, teosofista ou rosacruz) desprezasse o acervo benfeitor dessa fonte de verdadeira Sabedoria Espiritual.

Bem, voltando ao papo com a amiga espírita....
Como estava dizendo, eu percebi nela um ranço preconceituoso imenso. Mas a entendo, pois quando eu conheci o espíritismo, alguns espíritas velha-guarda, bem ortodoxos sempre me desaconselhavam a ler os livros "não-confiáveis" do Ramatís, pelo simples motivo de que " seus livros eram contraditórios e não estavam de acordo com o que o Kardec tinha falado."


Mas na verdade era um profundo preconceito sectarista em relação ao pensamento libertário e universalista do Swami Sri Rama-Tys.

Eu senti ainda nela, a prevenção, a temerosidade de uma possível "confusão doutrinária", nos seus estudos espíritas, apenas pelo fato de examinar e estudar os ensinos e os conhecimentos de outros movimentos espiritualistas. "A cômoda atitude do espírita ignorar propositadamente qualquer assunto que não se relacione com a sua doutrina, em geral, é mais fruto da preguiça mental, do que mesmo receio de confusão doutrinária", segundo o próprio Ramatís.

Novamente, o próprio Ramatís diz : "Não há desdouro nenhum para os espíritas operarem além da linha Kardecista, em busca de novos conhecimentos sobre o acervo espiritualista, que já serviu para alicerçar movimentos e doutrinas tradicionais como a Rosa-Cruz, Teosofia, o Esoterismo e o Yôga."


O preconceito que emanava de suas palavras me tocaram muito, e eu procurei expandir as minhas reflexões acerca de uma conduta mais liberta,universalista e sensata do que manietada por uma conduta sectária,limitante e que oprime sem dúvida o nosso livre arbítrio.


E quem estuda e pratica a projeção consciente sabe intimamente, que "lá fora", no plano espiritual, há um monte de espíritos amigos, amparadores extrafísicos que não são espíritas, projeciólogos, católicos ou rosacruzes, não são nada, são apenas consciência livres, emancipadas de qualquer injunção doutrinária ou condicionamento sectário.

Resumindo ; Não existe religião ou doutrina especial ! Cada uma possui sua própria egrégora, características psicológicas, formações culturais e filosóficas mas no fundo são todas irmãs e possuem como objetivo comum a conscientização do homem terreno, cada uma delas em densidade diferenciada de atuação e percepção.

Ao me despedir da minha amiga espírita, disse pra ela : "Procura abrir a mente para outras fontes espiritualistas. Não fique apenas presa ao que Kardec escreveu ou disse. Procura estudar outros mestres espiritualistas..."

Não pude terminar pois já ia descer do ônibus e ela completou : "Prefiro continuar com Kardec !"

Portanto meus queridos amigos, esse exemplo que exalta uma prevenção doutrinária , uma fortíssima resistência a abrir a mente a coisas novas(que na verdade não são novas mas tão antigas quanto a humanidade, e que os hindus e tibetanos estão calejados de saber) é uma forma de preconceito condicionada tradicionalmente nas várias escolas espiritualistas, como o próprio Espiritismo. Mas na verdade as linhas de pensamento são maravilhosas na sua essência(seja ela, espírita, rosacruciana, teosófica ou eubiose), mas muita gente "falsifica" suas cristalinas bases espirituais , com o seu ranço preconceituoso e discriminatório.

Vamos deixar de criar "gincanas espirituais", para saber qual é o maior mestre : se é Jesus ou Krishna, ou qual é a melhor religião ou filosofia de vida, e procurar nos melhorarmos como pessoas, e com mente aberta, coração generoso e olhos brilhantes de entusiasmo pela vida, crescer como consciência maduras e conscientes de nossos atributos basicamente extrafísicos, divinos.

Vamos procurar ser livres e procurar trabalhar nossos preconceitos e bloqueios, todos nós(eu que escrevo, você que lê e todo mundo) e criarmos um clima de mais fraternidade, união e prosperidade neste planeta-escola, que nos recebe com tanto carinho.
E que cada um possa ser feliz no seu próprio caminho ! e que todos possam ser respeitados por suas escolhas ! e que os nossos preconceitos tão pequenos sejam substituídos pela a alegria de ser livre , em consciência...sempre com o coração preservado de qualquer injunção ou imposição dogmática.

Nada é mais sagrado que o nosso coração !

E nenhuma religião ou doutrina é mais importante que o AMOR !

E assim a Liberdade se tornará para nós,uma pomba branca da paz a cruzar os céus de nossos corações espirituais, no azul de nossas aspirações ilimitadas, rumo ao mais além...

Que a liberdade seja sempre o nosso constante mantra , preservando a nossa consciência de qualquer violação partidária , e nos conduza ao Himalaia de nossos corações espiritualizados pelo sorriso de ser livre !