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Somos Convidados |
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Eu ainda era jovem quando me deparei com a minha primeira experiência em ter que ensinar alguem, tinha só 14 anos e estava na oitava série, era o primeiro dia de aula do segundo semestre e ela entrou toda timida sentou no fundo da sala bem ao meu lado, a aura dela era toda violeta e tem um cheiro de jasmim que me deixou profundamente tocada. Nós nos conhecemos e a minha nova amiga tinha um certo dom e muito mais do que um dom eu senti um incontrolável desejo de dizer pra ela sobre a Grande Mãe, foi quando eu fui orientada que esse desejo me alertava que tanto o discipulo quanto o mestre estavam prontos, então fui a missão. Não precisou que eu dissesse nada, minha amiga veio até a minha casa, conhecer meu lar e se sentiu encantada com tanta coisa relacionada ao paganismo, afinal de contas a casa de meus pais é um lar de exemplo, mesmo meu pai tão "catolico" não nega nunca de participar de um esbat, ou mesmo de acender a vela ou pronunciar Dinnshenc quando sai de casa. Ela então quis saber mais sobre o paganismo, eu disse que não havia como contar ou explicar algo que somente pode ser sentido, então marcamos um encontro em um lugar na saída da cidade, é um sitio cheio de eucaliptos onde o dono sempre me deixou entrar para meditar. No dia e local marcado pedi que ela se sentasse e escutasse o som das árvores, em alguns minutos eu vi que dos olhos dela escorria lágrimas, decidi não interromper e longos minutos se passaram quando ela descidiu abrir os olhos já nem sabia a quanto tempo estavamos ali e eu perguntei o que ela havia sentido. Ela me respondeu que não só sentindo mais como visto e ouvido, era uma mulher preenchida de luz e voz suave que pegava ela pelas mãos e mostrava tudo.. Eu disse que ela acabara de ver a Grande Mãe, a Deusa. Voltando a pé pelo caminho expliquei mais sobre a nossa fé. Na porta da minha casa ela me disse que ela sentiu uma enorme diferença entre o catoliscimo (ela era catolica) e o paganismo. No catolicismo ela se sentia obrigada e amendrontada, e naqueles instantes perante a uma Deusa pagã ela se sentiu convidada e livre, não sentia medo e sim uma emoção muito forte que fazia seus pés se moverem. Hoje me lembrei desse fato que se passou a tanto tempo e vim aqui escrever a vocês, tive a honra de nascer em uma familia pagã, crescer conhecendo o amor, aquele amor que ninguem na vida nunca será capaz de magoar, tive a honra de poder conhecer sem dificuldade alguma, e não é a hereditariedade que me faz encher a boca em dizer que sou druida de berço, de família, porque isso não me faz melhor que ninguém, mais foi uma das poucas pessoas da minha época que teve essa oportunidade de viver desde pequena a felicidade de ser pagã. Quando criança meus amiguinhos de escola iam para igreja aos domingos, fazer crisma e coisas do tipo, sempre viviam dizendo que eram obrigados, diziam que tal coisa era pecado e então eu me via livre, não era obrigada a ficar assistindo discursos de como ser um bom cristão ao invés disso eu pulava fogueira em noites quentes de beltane, me pintava de azul e dançava em ciranda, tocava tambor, quando cresci experimentei o vinho em ritos, senti a presença de toda a energia divina que me ensinava muito mais do que sermões, eu sempre fui livre em minhas decisões e nunca precisei ter temor de nada, segui com meus pés. E vejo sempre jovens e mais jovens se libertando desse mundo, vejo sempre mais e mais pessoas como essa minha amiga, sentindo se embalados pelo colo da Grande Mãe, vejo as pessoas querendo beber dessa riqueza, de gozar da libedade, de querer experimentar a verdadeira energia da magia. Dentro da nossa crença não somos obrigados, é feito a nós o convite onde cabe a gente escolher. Acredito que é por isso que não importa qual a vertente do paganismo seguimos, mais seguimos livres.
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